‘No Borders’ de Natasha King

“As fronteiras produzem um lado de dentro e um lado de fora, definem os que estão dentro e os que estão fora, e estabelecem um sistema de controlo que categoriza aqueles que desejam movimentar-se: o migrante trabalhador, o migrante trabalhador especializado, o requerente de asilo, o refugiado, etc, e, através deste processo de categorização, são criados grupos de pessoas que carregam um rótulo de não-status (o imigrante ilegal). Ou seja, a ilegalidade dos migrantes é um (não-)status que é produzido pelo regime de controlo e conferido a indivíduos quando o seu movimento é visto como problemático. O regime de fronteiras é produtivo.  Produz ilegalidade humana.”

“A crise humanitária que é um problema para os migrantes, começou a ser apresentada como uma crise migratória que é um problema para os governos europeus. (…) Com a adesão a Schengen, a fronteira externa da Grécia tornou-se a fronteira da UE e do Espaço Schengen (ES). Como tal, a Grécia tornou-se responsável não apenas por “proteger” e “defender” as suas próprias fronteiras, mas por fazê-lo em nome de todos os estados membros do ES, uma vez que chegar à Grécia passou a significar chegar à Europa.”

“As tentativas de bloquear o movimento das pessoas pelos outros estados da Rota dos Balcãs fez com que a Grécia se tornasse numa gigantesca prisão para muitas pessoas sem documentos (em 2012, o seu número chegou a um milhão). Estas pessoas são forçadas a viver num presente perpétuo, sem capacidade de fazer planos, de antecipar e assumir riscos, ou de imaginar um futuro. Viver neste presente perpétuo é difícil e traumatizante.”